Guerra de Sítio na Europa Medieval

Artigo

Mark Cartwright
por , traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto
publicado em 24 Maio 2018
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Disponível em outros idiomas: Inglês, Afrikaans

As guerras de sítio ou de cerco, com suas táticas especiais, constituíram o cerne da guerra medieval, especialmente a partir do século XI, quando os castelos se disseminaram pela Europa e os sítios ultrapassaram em número as batalhas em campo aberto. Os castelos e as cidades fortificadas ofereciam proteção tanto para a população local, como para as forças armadas e apresentavam um conjunto de aspectos defensivos os quais, por sua vez, levaram às inovações dos armamentos, à tecnologia das máquinas de sítio e às estratégias. Do século XII ao XV, a regra era quem vencer o sítio, vence a guerra, especialmente quando os alvos eram centros administrativos ou ocupavam uma posição de particular importância estratégica.

Castelos e Defesas de Cidades

Os primeiros castelos na França e Bretanha, durante o século XI, adotaram o padrão motte and bailey castel (castelo de morro e muralha). Sua característica demandava colocar uma torre de madeira em um morro natural ou artificial (motte) com um pátio (bailey) cercados por uma muralha na base da elevação, possuindo em todo seu perímetro uma vala ou fosso (podendo ser seco ou conter água). Gradualmente estes castelos foram convertidos em pedra, o que os fez mais resistentes ao fogo ou novos foram construídos já inteiramente em pedra, com a ideia de sua utilidade se espalhando e com progressos no projeto defensivo.

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Medieval Siege
Sítio Medieval
Unknown Artist (Public Domain)

O ponto fraco particular de qualquer fortificação defensiva era seu portão principal de acesso, que veio a ser protegido por uma torre em ambos os lados, com medidas de segurança adicionais, como ponte levadiça, grades e ‘buracos assassinos’ (aberturas acima da entrada por onde podiam ser lançados mísseis e líquido ferente). A celebrada King’s Gate do Castelo de Caernarvon em Gales possuía duas pontes levadiças, seis grades e cinco portas. O portão podia receber proteção extra com um barbacã – peça curta de parede fortificada construída à frente do portão. Os portões das cidades eram estruturas volumosas, dos quais muitos ainda existem atualmente por toda Europa, de York a Florença.

para dar outro anel de proteção, acrescentou-se uma segunda muralha interna ao projeto do castelo, a partir do século XII, especialmente na bretanha, frança e espanha.

As muralhas externas de um castelo (e algumas vezes mesmo das menores cidades) eram protegidas por um fosso (seco ou com água) e, sempre que possível, construída sobre uma elevação no terreno. Nos Países Baixos, onde isto frequentemente não era possível, o fosso era feito extremamente largo. Às muralhas eram acrescentadas torres a intervalos regulares para possibilitar um fogo mais poderoso dos arqueiros, bem como a construção de tapumes de madeira, que se projetavam por cima das muralhas, com o mesmo propósito. Adaptações posteriores no projeto incluíam colocar as torres projetando-se da muralha, de maneira que os defensores poderiam devolver o fogo na direção do inimigo, quando da ameaça real da muralha ser escalada. Por fim, descobriu-se que torres arredondadas funcionavam melhor que as quadradas, pois eliminavam o ponto cego de disparo dos cantos e ficavam mais estáveis e mais difíceis de desmantelar, a partir da base, pelos sapadores ou mineiros inimigos (os quais preferiam cantos simples para trabalhar suas picaretas). Muralhas e torres receberam uma cobertura de proteção de pedras em suas bases (talude) para impedir que o inimigo subisse por elas, dificultando sobremaneira o processo de as solapar e dando aos objetos atirados de cima um imprevisível ricochete sobre as linhas inimigas.

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Para dar outro anel de proteção, a partir do século XII acrescentou-se uma segunda muralha interna ao projeto do castelo, especialmente na Bretanha, França e Espanha. Com seu próprio portão de entrada fortificado, ela dobrava a dificuldade para conquistar o castelo e, sendo mais alta que a muralha externa, podia ser usada para lançar mísseis de cima dela ou, se rompida, atirá-los sobre o local rompido. Mesmo se os atacantes conseguirem ultrapassar os dois conjuntos de muralhas, existia um reduto final, a torre de menagem (torreão) – uma ampla torre com uma pequena entrada no primeiro andar (isto é, acima do andar térreo), protegida por uma construção ao lado. No final do século XIV, as torres de menagem caíram em desuso e substituídas por torres maiores construídas nas próprias muralhas, embora na Espanha e Alemanha, as menagens mantivessem sua popularidade junto aos arquitetos. O Castelo de Angers na França, do século XIII, é um bom exemplo de um arquiteto colocando toda sua fé nas torres redondas junto à muralha circundante.

Angers Castle
Castelo Angers
Marc Ryckaert (CC BY-SA)

Finalmente, há que se considerar os próprios defensores com quem se iria combater. Castelos e cidades fortificadas controlavam a região rural local e, portanto, constituíam o lar permanente de uma força de cavaleiros os quais podiam ser mercenários, milicianos ou servidores de um senhor local rotativamente. Estes cavaleiros fortemente armados podiam sair cavalgando a qualquer momento e atacar o inimigo, algumas vezes de surpresa, utilizando-se de um portão traseiro bem escondido, como aconteceu durante o sítio de Parma em 1247-8, por Frederick II. De fato, a própria presença de tal força significava que um invasor não poderia simplesmente ignorar um castelo ou uma cidade e passar de lado, arriscando que suas linhas de suprimentos fossem atacadas mais tarde durante a campanha.

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Seguros por detrás das muralhas, havia arqueiros e balesteiros, os quais podiam atirar mísseis através de estreitas aberturas ou fendas. Os defensores também possuíam catapultas para lançar pesadas pedras sobre os atacantes e danificar suas máquinas de sítio ou as próprias catapultas. Os bizantinos possuíam sua arma secreta, o Fogo Grego – um líquido altamente inflamável disparado de uma mangueira sob pressão. Embora pareça ter sido muito utilizado, mas limitado à guerra naval, é difícil imaginar que nunca tenha sido usado na guerra em terra e Richard I conseguiu ter a fórmula e usou-o com bom efeito quando retornou da Terceira Cruzada (1189-1192). Quando todos os armamentos convencionais foram usados e ficaram sem ação, os defensores então recorriam a tudo que podiam lançar sobre os atacantes, como óleo fervente, lenha incandescente, espetos e rochas.

Início do Ataque

Colocado de frente a estas engenhosas defesas, aos atacantes cabia considerar cuidadosamente como melhor fazer a respeito de sitiar um castelo ou uma cidade. O método mais simples era circundar o alvo, cortando seus suprimentos de alimentos e reforços para, em seguida, colocar-se a espera pela sede ou a fome, para forçarem os defensores a se renderem. Ateando fogo a quaisquer terras cultivadas e cidades, era uma sábia ação, também, no caso de os defensores serem capazes de contrabandear suprimentos. Naturalmente, com um grande castelo ou uma cidade maior, isto podia tomar diversos meses para alcançar o efeito desejado. Os defensores, provavelmente, possuíam seu próprio suprimento de água, tendo feito estoques de alimentos, e em uma emergência poderiam sempre recorrer a beber vinho, cerveja ou mesmo o sangue de cavalos. Castelos como os de Gales, construídos por Edward I (rein. 1272-1307) eram situados especificamente à beira-mar, de modo que poderiam ser supridos quando sob sítio, a menos que os atacantes possuíssem uma força naval e um exército terrestre.

os sítio eram caros e as tropas poderiam se encontrar em um termo de serviço fixo (tipicamente 40 dias). Portanto o tempo era também um fator a se considerar.

Os defensores podiam possuir túneis secretos, permitindo algum movimento de pessoas e bens para contornar os sitiantes acampados fora. Se uma cidade inteira precisasse ser atacada, então o cerco poderia se constituir numa impossibilidade total devido ao tamanho da força necessária para circundá-la completamente. Isto não impedia que alguns ambiciosos comandantes, como quando do ataque sobre a Antioquia durante a Primeira Cruzada (1095-1099) onde os atacantes construíram seus próprios castelos para se protegerem das surtidas vindas da cidade. De fato, construir um castelo de sítio para atacar outro castelo não constituía uma estratégia incomum na Idade Média. Um castelo era, algumas vezes, erguido diretamente à frente de um portão para bloquear qualquer movimento, enquanto o restante do exército invasor era deixado para combater em outros locais. Em muitos casos, era certamente aconselhável proteger o acampamento com uma paliçada e um fosso como uma precaução mínima.

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O melhor resultado possível, evidentemente, seria os defensores se renderem imediatamente. Sítios eram caros e as tropas poderiam se encontrar em um termo fixo de serviço (40 dias nos exércitos ingleses, por exemplo), portanto o tempo constituía também um fator a ser considerado. Além disso, a estação de campanha era tipicamente limitada à primavera e verão e quanto mais tempo os atacantes permanecessem confinados em seu próprio acampamento, mais propensos se tornavam a serem atacados por uma força de socorro, doenças ou mesmo fome, devido à falta de suprimentos em um território hostil. Mesmo assim, o próprio tamanho do exército atacante podia ajudar a se conseguir um rápido resultado ou mesmo a reputação de seu comandante se ele comparecesse em pessoa – Henry I da Inglaterra (rein. 1100-1135) e Joana d’Arc (1412-1431) foram dois líderes que causaram este efeito em diversas ocasiões.

Motte and Bailey Castle, Bayeux Tapestry
Castelo de Morro e Muralha, Tapeçaria Bayeux
Myrabella (Public Domain)

Se os defensores permanecessem resolutos, então a primeira etapa seria comunicar uma advertência via mensageiros. Na era das cavalarias durante a Alta Idade Média (1000-1250), residentes não-combatentes podiam receber permissão para deixar a cena, porém isto não era o caso quando combatendo nas Cruzadas, por exemplo. Se os termos da rendição fossem rejeitados, então esta seria a oportunidade para se empregar algumas táticas de terror. O arremesso de algumas cabeças decapitadas de mensageiros (algumas vezes, até mesmo o próprio mensageiro) ou outros cativos, sobre as muralhas dos defensores via catapulta, era uma tática comum e lembrava as consequências de continuar a batalha. Outra estratégia era ameaçar enforcar algum parente próximo e querido do proprietário do castelo, vivendo fora de suas muralhas - como aconteceu quando o Rei Stephen ameaçou enforcar Roger le Poer, cuja mãe era dona do castelo de Devizes em 1139.

Aríetes

Uma atitude mais ativa que o cerco permanente era tentar e destruir uma parte específica de uma muralha defensiva. O portão por muito tempo se constituiu em um ponto fraco, porém à medida que se tornou mais fortificado, passou a ser um dos pontos mais fortes de um castelo ou cidade. Mesmo assim, afinal de contas, uma porta era uma porta, e muitos atacantes ficavam tentados a usar o fogo ou um aríete para rompê-lo. Alternativamente, uma seção da muralha podia ser o alvo dos arieteiros.

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Os aríetes não tiveram seus modelos muito alterados desde a antiguidade e tipicamente eram feitos de um grande tronco de madeira com uma extremidade de metal pontiaguda. O aríete podia simplesmente ser carregado por um grupo de homens ou colocado sobre um eixo apoiado em rodas ou suspenso em uma estrutura de modo que podia oscilar na direção de seu alvo com grande força. Proteção contra mísseis era conseguida abrigando o aríete sob um teto de madeira ou metal. Os defensores podiam tentar impedir o aríete por correntes, cordas e ganchos pendurados. Outro artifício útil aos atacantes, era o uso de trave com gancho na ponta e que podia ser usado para puxar uma ponte levadiça erguida.

Artilharia

Máquinas de artilharia já eram usadas desde a antiguidade e, com a disseminação da guerra na Alta Idade Média, retornaram com força para a guerra de sítio, mesclando projetos da Roma e Grécia antigas com novas ideias do Império Bizantino e do mundo árabe. Uma estratégia de ataque era martelar a muralha com volumosas pedras lançadas por catapultas (ou mangonelas, que faziam uso da torção de cordas e baseavam-se em antigos desenhos) e trebuchets (que fazia uso de um contrapeso e foi visto pela primeira vez na Itália no século XII). Ambos os tipos possuíam um braço simples unido a uma funda ou balde com capacidade de lançar uma grande pedra na direção do inimigo com peso aproximado de 50 a 250 quilos. Mísseis flamejantes cobertos com breu e que podiam incendiar as casas de madeira de uma cidade ou as situadas no pátio de um castelo. Alguns mísseis de catapulta eram contêineres feitos de madeira, terracota ou vidro e continham um líquido inflamável, como gordura animal, destinado a se romper com o impacto, semelhante a um coquetel Molotov. Outro dispositivo de artilharia era a balista, um grande arco que podia atirar grossas flechas de madeira ou pesadas barras de ferro com grande precisão. Não era muito usada para penetrar as pedras da muralha, mas mais útil nas mãos dos defensores, pois tinha a vantagem de ser mais compacta que uma catapulta e, portanto, três podiam ocupar um só andar de uma torre.

Medieval Trebuchet
Trebuchet Medieval
Unknown Artist (Public Domain)

Armas mais imaginativas incluíam pipas utilizadas para fazer flutuar e soltar produtos incendiários sobre as muralhas. No século XV, utilizava-se também o gás sulfídrico para expulsar os defensores de seus esconderijos - o Papa Alexandre VI foi acusado de fazer uso de tais táticas durante o sítio de Óstia em 1498. Naturalmente, os defensores tinham suas próprias versões de mísseis e podiam arremessar carvão em brasa, tochas, água fervente ou areia quente sobre os atacantes situados abaixo da muralha. Adicionalmente, podiam proteger suas estruturas do fogo cobrindo-as com material não combustível como barro, calcário, relva e vinagre.

A primeira representação de uma artilharia por pólvora é um manuscrito inglês de 1326, mostrando um canhão em uma armação de madeira pronto para disparar um pino de metal. Estas primeiras armas de fogo, algumas vezes conhecidas como bombardas, frequentemente mais letais para os artilheiros, devido à falta de conhecimento e o know-how de projetos do período medieval nesta área. James II da Escócia, por exemplo, foi morto pela explosão de um canhão em 1460, no sítio de Roxburgh. Pequenas armas de fogo pesando até 15 quilos foram usadas a partir do século XIV e atiravam pequenas balas, pinos ou bolas de chumbo. As muralhas foram alargadas e elevadas em resposta à chegada dos canhões e os defensores podiam, evidentemente, ter seus próprios canhões, o que levou à adequada alteração das janelas das ameias em muitas fortificações. Quando as pesadas baterias de grandes canhões, no século XV, usavam balas pesando mais de 100 quilos, os dias de guerra sítio estática efetivamente chegou ao fim.

Minar ou Solapar

Se as muralhas de uma fortificação se apresentam particularmente largas e imponentes, então uma estratégia alternativa era golpeá-la até transformá-la em destroços, atacando-a por baixo. O método mais simples era retirar com ferramentas, pedras escolhidas da muralha, protegendo os sapadores com escudos de madeira, paredes e corredores cobertos ou trincheiras. O solapamento era mais sofisticado e envolvia escavar túneis sob as fortificações e, em seguida, atear fogo dentro deles, de modo que as muralhas desabavam sob seu próprio peso. Naturalmente, este método não era possível se o castelo fosse construído sobre uma sólida fundação rochosa. Infelizmente para os atacantes, os defensores poderiam trabalhar em contraminas, interceptando os inimigos, podendo atear fogo e expulsar os sitiadores e/ou deliberadamente desmoronar o túnel. Um famoso episódio foi o ataque ao Castelo Rochester, Inglaterra, em 1215, quando uma aresta de uma torre se desmanchou após os mineiros terem incendiado pesadamente o túnel por eles cavado, utilizando-se de madeira e gordura de porco.

Siege of Lisbon, 1147 CE
Sítio de Lisboa, 1147
Roque Gameiro (Public Domain)

Torres de Sítio

Um assalto completo em um ponto de uma seção da muralha envolvia as boas e antigas escada de escalar e as torres de sítio. O inimigo poderia já ter sido abrandado pelo fogo de artilharia, porém o combate corpo-a-corpo – sangrento e caótico – era quase sempre inevitável. As torres de sítio permitiam que os atacantes se aproximassem da muralha e, possivelmente, escalá-la ou, pelo menos, danificá-la. Construída de madeira e montada in loco, possuía suas próprias rodas, podendo ser posicionada contra a muralha utilizando-se força manual ou de bois. Estas pesadas estruturas, frequentemente recebiam nomes como gato ou urso, e certamente ofereciam um sério impacto psicológico. Primeiro, uma porção do castelo ou fosso da cidade deveria ser coberto ou colocada uma ponte no local – algumas vezes utilizando-se de pontes dobráveis pré-fabricadas. Em seguida, a torre podia ser rolada através do terreno até uma distância próxima da muralha. Refinamentos incluíam uma plataforma inferior que protegia os sapadores quando cavavam a muralha, um aríete suspenso ou um nicho sobre uma haste que poderia baixar um certo número de soldados sobre a muralha. Os sitiadores recebiam fogo de cobertura de seus próprios arqueiros e das catapultas, o que mantinha os defensores distraídos. Aqueles nas torres de sítio encontravam-se blindados e protegidos por coberturas de madeira ou grandes escudos.

Torres de sítio no ataque a lisboa em 1147 tinham mais de 24 metros (80 pés) de altura.

Como as torres de sítio tinham altura superior à muralha defensiva, os arqueiros no interior da torre poderiam atirar para baixo das muralhas, limpando-a de inimigos antes que os atacantes pudessem subir e atravessar a ponte levadiça da torre. As torres no sítio de Lisboa em 1147 tinham mais de 24 metros (80 pés) de altura, por exemplo. Os defensores faziam de tudo que podiam para resistir às torres, por exemplo, atirando flechas incandescentes contra elas, mas uma torre poderia ser coberta com pele de animais encharcadas de água ou placas de metal para resistirem a esta estratégia. Outro método utilizado era encher os fossos e trincheiras em frente à muralha com terra fofa, de modo que cederia quando a torre ali chegasse e algumas vezes os defensores também construíam suas próprias torres para melhor atacar o outro lado.

Evasivas e Subterfúgios

Embora a cavalaria fosse um ideal altamente considerado, existiram inúmeros exemplos de velhacaria na guerra de sítio medieval. Cartas falsificadas podiam ser enviadas a um comandante de um castelo dando a entender que era de seu soberano e determinando que ele se rendesse, por exemplo. Um pequeno número de pessoas podia se disfarçar e entrar no castelo. Algumas vezes um proeminente cavaleiro podia dirigir-se ao castelo ou cidade, que não sabiam que ele havia, de fato, mudado de lado. Houve até mesmo casos de escancarado abandono dos procedimentos diplomáticos, como derrubar um líder, enquanto ele se encontrava discutindo os termos de paz sobre as muralhas. A cavalaria era abandonada, também, se o combate se arrastasse, como quando Henry V lançou animais mortos nos poços de água de Rouen, na França, durante seu sítio de 1418-19. Catapultas podiam lançar esterco e cadáveres na esperança de espalhar doenças entre os inimigos. Finalmente, espiões foram usados tanto no campo, para encontrar pontos fracos de defesa, ou exatamente quando os atacantes estariam jantando e, portanto, se estariam vulneráveis.

Consequências

Se um castelo ou cidade caísse, era prática comum o saque, a pilhagem, o incêndio, o estupro e o assassinato. Atos de clemência para com os defensores que não se renderam quando eles tiveram a chance no início dos eventos, eram a exceção, não a regra. Esperava-se que Igrejas e membros das ordens religiosas fossem deixados ilesos. Suficientemente estranho, soldados podiam ser melhor tratados que os não combatentes, pois pensavam que eles haviam simplesmente cumprido seu dever profissional. Mesmo quando um comandante desejasse ser leniente, como William, o Conquistador, após a captura de Dover em 1066, seus próprios homens, na maioria das vezes, ignoraram suas ordens, excitados pela vitória. A partilha da pilhagem após a vitória foi, compreensivelmente, um dos principais motivadores para combater, porém nem todos os soldados encontravam-se preparados para esperar por seu comandante assumir sua porção do saque em primeiro lugar, o que levou aos soldados de William ignorarem suas ordens, ainda mais, eufóricos com a vitória. Portanto, algumas chacinas eram deliberadas para enviar uma forte mensagem ao inimigo durante uma guerra ampla, como o massacre ordenado por Edward III após a queda de Caen em 1346. Naturalmente, se um castelo se encontrasse em uma posição estratégica importante, era mais vantajoso para os novos proprietários mantê-lo, para defender seu próprio regime, pois muitos eram reparados e reutilizados, algumas vezes até mesmo defendidos de um sítio em contra-ataque, um processo reiniciado com os papéis invertidos.

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Sobre o tradutor

Jose Monteiro Queiroz-Neto
Monteiro é um pediatra aposentado interessado na história do Império Romano e da Idade Média. Tem como objetivo ampliar o conhecimento dos artigos da WH para o público de língua portuguesa. Atualmente reside em Santos, Brasil.

Sobre o autor

Mark Cartwright
Mark é um historiador que vive na Itália. Seus interesses incluem cerâmica, arquitetura, mitologia e a descoberta das ideias que todas as civilizações partilham entre si. Tem Mestrado em Filosofia Política e é o Diretor de Publicação na Enciclopédia da História Mundial.

Citar este trabalho

Estilo APA

Cartwright, M. (2018, Maio 24). Guerra de Sítio na Europa Medieval [Siege Warfare in Medieval Europe]. (J. M. Queiroz-Neto, Tradutora). World History Encyclopedia. Recuperado de https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1230/guerra-de-sitio-na-europa-medieval/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Guerra de Sítio na Europa Medieval." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. World History Encyclopedia. Última modificação Maio 24, 2018. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1230/guerra-de-sitio-na-europa-medieval/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Guerra de Sítio na Europa Medieval." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. World History Encyclopedia. World History Encyclopedia, 24 Mai 2018. Web. 29 Jun 2022.